
Chega-te a mim. E ajuda-me.
Tento, sempre, abrigar-me sob certezas. Certíssimas.
Mas o que paira por mim continuamente é a incerteza.
Questões. Dúvidas. Ponto de interrogação. Reticências.
Que não sou só eu. Somos todos. Que é útil. E faz bem.
Pois. Será. É. Olha que já não sei.
Mas o que eu busco constantemente é a segurança.
Não me entendes?
Vou procurar ser mais claro. Talvez com um exemplo.
Dia a dia, garantes que me amas. E mais.
Vou acreditando. Voa o negro da nuvem.
Desfazes-me as dúvidas. Uma após outra.
E a certeza impõe-se-me. Brilha só o azul.
Se não é bom?
Será. É. Olha que já nem sei.
Dissipam-se-me os receios. E a tensão.
Desamparam-me as fantasias. E o desejo.
Como se a posse do teu amor me amputasse dos sonhos.
Como se a posse da realidade me secasse a fome. A sede.
Como se a paixão desmaiasse no amarelecer dos desejos.
Como se a certeza de te amar fosse uma paz a apodrecer.
Ajuda-me. Chega-te mais a mim. Quero a
certeza do amor. E a inquietude da paixão.
Que o desejo seja. Eterno de tão terno. Jogo
de todas as cores. E não só a preto e branco.
Mateo